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Dica de Leitura

Opa, galera! Bem, terminei há algum tempo de ler um livro cujo nome é "Ponto de Mutação", do Fritjof Capra. O livro foi escrito na década de 80, mas não é por isso que deixa de ser fantástico. Me interessei por essa obra em função da indicação de dois amigos que já a tinham lido, Guilherme Monteiro e Ramalho Garbelini. Ela trata da influência da visão cartesiana/newtoniana do mundo na sociedade moderna, nos mais variados campos da ciência, como na medicina, na economia, na psicanálise e na própria física. Após a leitura, adquiri uma outra visão sobre vários pequenos acontecimentos do cotidiano que se tornaram um tanto quanto mais "compreensíveis".

A Livraria Saraiva tem o livro em estoque, assim como a Amazon tem, se você quiser arriscar uma leitura na versão original, em inglês. Se não me engano, a Amazon também tem a obra em e-book. Vale dizer que em inglês ele se chama "The Turning Point"

Se você realmente gostar do livro, ou estiver com preguiça de lê-lo, existe um filme que foi totalmente baseado na obra. Não sei se há uma versão dublada. De qualquer forma, fica a dica: Mindwalk.

Já leu o livro? Quer mais informações? Comente aí!

Atemporal

Lembro-me do tempo
Em que eu de fato tinha tempo
Tempo bom, em que tudo ia devagar
Dava tempo de fazer as coisas

Hoje o tempo passa rápido
Voa nas asas de um avião.
Já não sou tão ocioso
Já não paro pra pensar em um refrão

Já foi o tempo
Em que o tempo ajudava...
O tempo não chovia

Hoje, envolto no temporal
Termino veloz minha poesia
Porque o tempo, ah...
Este há algum tempo está escasso

Presente! Pra mim!?...

Não passava de umas sete e meia da noite. Era noite de terça-feira. Eu, como de costume, estava no CCAA, no meu local de trabalho, terminando de arrumar as coisas e a sala a qual eu tinha usado para dar aula minutos antes. Porta aberta, uma aluninha chega e me dá o maior susto. Vou me referir a ela assim mesmo: Aluninha. Não por deboche, ela que me perdoe, mas é que ainda não sei seu nome. Conheço-a de vista, de corredor e há algum tempo dei uma aula para ela, apenas substituindo a professora "titular". Lembro-me bem que a turminha (não que fossem poucos alunos, eram, se não me engano, uns dez) gostou bastante! Refiro-me a eles como turminha pois não passam muito dos nove ou dez anos. Bem, voltando à cena da sala, com a porta aberta, o susto e tal...

- Eiii Raul!! - disse a Aluninha com um tom meigo e um sorriso contagiante nos olhos.

- Olá, tudo bem? - disse eu, nessa hora já sem os efeitos do susto que ela me dera.

- Olha, nós estamos torcendo pra você dar aula pra gente no próximo semestre. Já estamos implorando pra Cynara [diretora da escola] te escalar como nosso "teacher". 

- Nossa, super agradeço a "indicação"! -  já incorporei algumas expressões do twitter no meu vocabulário cotidiano. 

-Você vem, não vem? - agora a aluninha tinha tinha no rosto uma expressão ao maior estilo Kiko, do Chávez: "Diz quesim! Diz que sim! Diz que sim! Diiiiiiiiiiiiz!". 

- Claro que vou! É só me escalarem! 

E assim ela se foi, saltitante, sorridente e cantarolando...  

 

Mais tarde, já em casa, pensava eu com meus botões... É bem verdade que nunca me imaginei dando aula pra crianças. Não sei muito bem o motivo. Talvez, insegurança. Talvez, receio. Também nunca esteve nos meus planos dar aulas pra "baixinhos". Contudo, a breve conversa com a Aluninha me fez perceber que pode ser algo fantástico trabalhar com esses pequenos. Não exatamente pela complexidade do que se vai ensinar, mas sim pelo que se vai aprender. Mas o que esse pessoal tem a passar pra gente? Com toda certeza, não se vê todo dia um adulto ou adolescente (e obviamente incluo-me nessa conta) com o sorriso aberto, feliz. As crianças tem uma inocência pura, uma alegria sutil e explícita que, penso eu, não faria mal pegar um pouco emprestado. Em tempos de correria, parar um pouco e analisar o recado que essa galerinha tem a passar pode ser de grande valia.   

Deixo aqui expressa uma vontade, que se possível, peço que seja atendida: gostaria bastante de trabalhar com esse pessoalzinho no próximo semestre. Também agradeço à Aluninha e toda a sua turma pela "preferência" e pelo presente que me deram. Peço a ela desculpas por não saber seu nome, mas prometo, que nas próximas vezes que aparecer por aqui, já terei decorado nome, sobrenome, apelido, cor preferida, gosto musical, número de telefone, número na folha de chamada...

 

Me and Myself...

Enquanto aluno e professor, sempre acreditei que aulas de inglês são pra gente aprender ou ensinar inglês. De fato, são. Entretanto, descobri mais uma utilidade: DESENHAR. Esse desenho aí foi rascunhado na aula do MEC 3 de hoje e terminado em casa. Não, não ficou muito bem feito, mas até que ficou criativo... 

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O Dia Chegou - Parte I

João corria como se sua vida dependesse disso. E, de fato, dependia. A rua era escura e o cansaço já não lhe garatia uma boa visão. Mas ele conhecia o caminho. Não era a primeira vez que passava por aquelas vielas. Infelizmente. O pesado objeto em suas mãos era de suma valia. Se sentia orgulhoso de transportá-lo. A rua, vazia às quatro da manhã, exalava um odor úmido e nojento mas João sabia que era o único modo... o único meio. De fato, os fantasmas dos passado um dia sempre voltam pra nos assombrar. João lembrava-se do porque estar fazendo tudo aquilo e meditava. Podia repetir cada palavra da conversa que tivera anos antes com o homem que esperava por ele, em uma esquina mais a frente, naquela mesma rua, naquela mesma noite: 

- Não quero nada em troca. Digamos que ficas me devendo favor. - Foi o que disse, anos antes, o homem que esta noite esperava João. 

- Vamos!! Você me prestou grande auxílio. Preciso retribuir-te. - Retrucava João deveras consternado. 

- Bem, se é assim... um dia, e talvez este dia nunca chege, vou precisar da sua ajuda. E você me ajudará sem pensar nas consequências. 

João concordou incondicionalmente, um tanto quanto apreensivo.

O dia chegou... 

O vento frio levou para longe as lembraças daquela maldita noite da cabeça de João. Ele precisava se apressar. O horário marcado para a entrega do objeto estava ficando mais próximo. Sabia que não tinha o direito de se atrasar. Também não tinha coragem para tal... 

João chegou no local combinado. Ainda tinha alguns segundos para não dizer que estava atrasado. Contudo, isto não lhe preocupava. O que deveras deixava-o intrigado era o fato de que o homem que deveria estar naquela esquina não estava. ELE! Que nunca se atrasava. 

Nestes momentos, em algum outro lugar da cidade, não muito longe dali, um outro homem, velho, careca, com voz rouca limpava a cena do crime. No chão, o corpo do homem que João deveria encontrar. João não o viu naquela noite e também nunca mais tornaria a vê-lo.  

(Continua nos próximos posts...)

 

Conselhos dos Meus Mestres...

"Os pequenos detalhes dizem muito sobre nós mesmos" disse uma vez em um de seus inúmeros memoráveis keynotes, o mestre Steve Jobs. "Somos o que comemos" disse certa vez um nutricionista. Vou além: somos o que escrevemos. 


O ato de se comunicar data de muito antes da sistematização da linguagem. Não há nada melhor do que expressar suas ideiase receber um feedback. Contudo, conversas podem ser esquecidas, até mesmo recontadas. Já a escrita, não. O que está escrito, está feito, não há como mudar. Isto é o mais belo. A escrita está fadada à eternidade. Poucos priveligiados chegaram a conversar pessoalmente com Machado de Assis, por exemplo (eita, inveja!!). Entretanto, quem nunca intrigou-se com a eterna dúvida do adultério de Capitu ou se deliciou com as Memórias Póstumas do "Mulato Sabido"? Mas, CUIDADO, caro leitor!!! Se o texto não é bom, fica pra sempre ruim. Por exemplo, se este post ficar ruim, vai ficar pra sempre, até porque editar o blog é sempre bem chato. De novo, nada a se fazer. Como diz minha querida vovó, "prudência e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém"; como bom neto que sou, acato o conselho, complementando-o: ousadia também não.

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Pra acabar isso aqui (não que delinear algumas magras linhas seja de todo ruim, é até coisa que distrai um pouco da eternidade, mas o tempo não para nem pra mim nem pro Cazuza!), não sei bem se o Léo Jaime ainda vai encontrar a fórmula do amor e muito menos se vou encontrar a da boa escrita. Não obstante, fica a dica: escreva o que sente, o que pensa, mas cuidado pra não ferir o papel, e nem as pessoas. Ah, quer saber? Fazes o que tu queres, pois é tudo da lei!  

Texto dedicado ao amigo, professor e companheiro Héder Peixoto que tanto contribui com esses escritos.

Tá chegando a hora...

     - É, mãe! Australia!! 

     - Ah, Raul! Acho legal você querer conhecer outros lugares e tudo mais só que Australia é muito longe, não? - mãe é sempre mãe.

     - Nada que "algumas" horas de voo não resolvam!!!! 

     Foi esse o diálogo que tive com minha mãe quando disse a ela que me interessava uma viagem pra estudar/férias no exterior. Quem lê esse trecho acima pensa: "Ihh coitado!! Não conseguiu convencer a mãe!!". COITADO de quem pensou. Um tempo passou, um pouco mais de um ano, muita pesquisa, MUITA papelada, muita conversa. No final das contas, chegava eu no escritório da STB em Juiz de Fora pra fechar minha viagem. Pra onde mesmo? Ahaam, pra lá; lá onde o sol nasce mais cedo, onde o canguru pula e o koala fica na copa da árvore. 

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     Um dia, há alguns meses, um vizinho, muito simpático por sinal, indagou-me:  

     - E aê, Raul? Como tá sentindo sabendo que vai pro outro lado do mundo??  

     Aquilo me soou tão distante, tão sem nexo. Eu? Do outro lado do globo? Devem ter me confundido!!! Acabei por responder o simpático vizinho assim: 

      - Meu amigo... Ainda nem caiu a ficha!  

      Meses depois, em meu quarto estava. Procurava um hotel legal perto do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A FICHA CAIU!!! OH, MY GOD! Eu vou pro outro lado do mundo!!! Como assim? É muito longe!  

      Ansiedade é algo incrível: faz a adrenalina subir, faz a gente projetar as coisas lá na frente, ficar curioso. Será que é assim mesmo? E se não for? Eu diria que o melhor da viagem não é a viagem em si, mas os dias que a antecedem. Do nada a gente fica de um lado pro outro, sem rumo, checando se tudo está de acordo. Procura algo pra fazer, olha no relógio; o tempo parece não passar. É nessas horas que a gente acaba fazendo um post tipo esse num blog... "distrai um pouco da eternidade", já diria o mestre Machado de Assis.

 

       Bem, acho que é hora de dizer tchau e agradecer todo mundo que me ajudou. O negócio agora é esperar um pouco e ver no que dá tudo isso aê. Talvez este seja o último post antes de chegar em terras mais austeras, digo, australianas. Se for assim, só devo postar de lá até o dia de minha volta. See you soon guys!! Have a nice vacation!! #4EverYoung

 

Tchau

Dá uma Olhadinha...

     O fim de ano tá aí e a maioria dos jovens do Brasil vai prestar algum vestibular, seriado ou similar em breve. Contudo, é notório o nível da falta de interesse destes mesmos jovens em relação à situação do país. Seja no campo político, no social ou na economia, alheios estão e, ao que me parece, alheios continuarão se não mudarem sua postura. Todavia, é necessário abrir os olhos e enxergar o futuro. Mas pra enxergar lá na frente, é preciso entender o presente e, consequentemente, relembrar o passado...

    Esse Brasil, o meu, o seu, é o mesmo do José, do Alencar, o mesmo do Machado. É o mesmo do Gil, do Tom e do Jobim. Não é diferente do Brasil do Chico, do Fernando nem do Henrique. É a nação que varreu, com a vassourinha do Jango, a nova Capital Federal do Juscelino em direção ao Sertão. Sertão grande, ou Grande Sertão: Veredas , como nos diria o companheiro Guimarães. Mas Brasil, mostra tua cara! Qual é o teu negócio? Bem, um Estado que ficou independente pelas próprias mãos do Príncipe Regente Metropolitano deve ter muitas caras. Sim, muitas caras. Caras-pintadas clamando pelas Diretas Já; e o povo incrédulo de ver o caixão do Tancredo. Cena que chocou milhões, Senna no caixão em pleno domingo. No mesmo ano, Galvão já gritava o Tetra, preparando a garganta pra soltar o verbo no Penta.

    Tá vendo? Cada brasileiro, mesmo que no mais perfeito anonimato, ajudou a construir um pedacinho da nossa história e deixou o seu legado. Cabe a nós, todos nós, continuar o que esses gênios um dia fizeram. Não dá pra ficar aqui parado, vendo as coisas acontecerem. O tempo do Cazuza não para; o nosso também não. Pode ser que o amanhã do Renato nunca chegue. Assim fica o meu apelo: levanta a cabeça; vai a luta; luta pelo que é seu! Continua o que o Cabral, em 1500, começou. Muda essa atitude, sai da caverna e vamos levar o Brasil ao topo do mundo. Eu sei que não dá pra mudar o passado, mas se a gente quiser, e fizer acontecer, vai dar pra mudar o futuro.

 

Autor: Raul Guarini

P.S.: Texto dedicado a Mariana Lanna, fonte

de inspiração pra tudo escrito aí em cima.

 

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