Não passava de umas sete e meia da noite. Era noite de terça-feira. Eu, como de costume, estava no CCAA, no meu local de trabalho, terminando de arrumar as coisas e a sala a qual eu tinha usado para dar aula minutos antes. Porta aberta, uma aluninha chega e me dá o maior susto. Vou me referir a ela assim mesmo: Aluninha. Não por deboche, ela que me perdoe, mas é que ainda não sei seu nome. Conheço-a de vista, de corredor e há algum tempo dei uma aula para ela, apenas substituindo a professora "titular". Lembro-me bem que a turminha (não que fossem poucos alunos, eram, se não me engano, uns dez) gostou bastante! Refiro-me a eles como turminha pois não passam muito dos nove ou dez anos. Bem, voltando à cena da sala, com a porta aberta, o susto e tal...
- Eiii Raul!! - disse a Aluninha com um tom meigo e um sorriso contagiante nos olhos.
- Olá, tudo bem? - disse eu, nessa hora já sem os efeitos do susto que ela me dera.
- Olha, nós estamos torcendo pra você dar aula pra gente no próximo semestre. Já estamos implorando pra Cynara [diretora da escola] te escalar como nosso "teacher".
- Nossa, super agradeço a "indicação"! - já incorporei algumas expressões do twitter no meu vocabulário cotidiano.
-Você vem, não vem? - agora a aluninha tinha tinha no rosto uma expressão ao maior estilo Kiko, do Chávez: "Diz quesim! Diz que sim! Diz que sim! Diiiiiiiiiiiiz!".
- Claro que vou! É só me escalarem!
E assim ela se foi, saltitante, sorridente e cantarolando...
Mais tarde, já em casa, pensava eu com meus botões... É bem verdade que nunca me imaginei dando aula pra crianças. Não sei muito bem o motivo. Talvez, insegurança. Talvez, receio. Também nunca esteve nos meus planos dar aulas pra "baixinhos". Contudo, a breve conversa com a Aluninha me fez perceber que pode ser algo fantástico trabalhar com esses pequenos. Não exatamente pela complexidade do que se vai ensinar, mas sim pelo que se vai aprender. Mas o que esse pessoal tem a passar pra gente? Com toda certeza, não se vê todo dia um adulto ou adolescente (e obviamente incluo-me nessa conta) com o sorriso aberto, feliz. As crianças tem uma inocência pura, uma alegria sutil e explícita que, penso eu, não faria mal pegar um pouco emprestado. Em tempos de correria, parar um pouco e analisar o recado que essa galerinha tem a passar pode ser de grande valia.
Deixo aqui expressa uma vontade, que se possível, peço que seja atendida: gostaria bastante de trabalhar com esse pessoalzinho no próximo semestre. Também agradeço à Aluninha e toda a sua turma pela "preferência" e pelo presente que me deram. Peço a ela desculpas por não saber seu nome, mas prometo, que nas próximas vezes que aparecer por aqui, já terei decorado nome, sobrenome, apelido, cor preferida, gosto musical, número de telefone, número na folha de chamada...